No dia 2 de novembro, segunda-feira, o TECHPARK CV recebe o Workshop Cabo Verde: Digital Identity & eID, edição de 2026. É uma tarde dedicada ao estado da identidade digital em Cabo Verde e ao que o país pode construir a partir dela.
A Caixa Mágica Software e a LIZAR Systems são duas das três empresas patrocinadoras, ao lado da DevTrust Consulting. As duas participam no programa com sessões próprias. A LIZAR leva também uma demonstração ao vivo da DRACO, a sua unidade de personalização de cartões.
Este artigo resume o programa, o que cada empresa vai apresentar e porque é que Cabo Verde é um bom sítio para esta conversa.
O que é o Workshop L.ID Cabo Verde?
É uma iniciativa da L.ID Conference & Digital ID Hub, organizada com a Kindness Blossom. A L.ID é a marca da LisbonID Conference, cuja primeira edição decorreu em Lisboa em maio de 2026, com a Caixa Mágica na coorganização. Este workshop leva o mesmo formato a Cabo Verde, numa versão mais curta e centrada nas oportunidades locais. O mote da edição é ligar identidades e criar oportunidades.
Dress code indicado pela organização: casual business.
Qual é o programa do workshop?
| Hora | Sessão | Orador |
|---|---|---|
| 14:00 | Receção, registo e networking, com a experiência "L.ID Demo Credential" | Organização |
| 14:30 | Abertura institucional | Membro do Governo ou liderança do NOSi |
| 14:45 | Identidade segura em Cabo Verde: infraestrutura existente e desafios de evolução | IMIJ |
| 15:05 | Identidade digital em Cabo Verde: da base construída às oportunidades por setor | DevTrust |
| 15:25 | Digital Identity 2030: tendências globais, standards e novos modelos de confiança | Caixa Mágica |
| 15:50 | Identidade segura, física e digital: da emissão ao ecossistema de confiança | Filipe Carvalho, LIZAR Systems |
| 16:20 | Pausa para café e demonstração DRACO e L.ID Demo Credential | LIZAR e DevTrust |
| 16:45 | Ecossistema digital endógeno: como Cabo Verde pode tornar-se um líder regional em identidade digital | Eng. Hélio Varela |
| 17:00 | Identidade digital, confiança e inovação no sistema financeiro | Banco de Cabo Verde |
| 17:20 | Painel: da credencial ao serviço, onde pode a identidade digital criar valor hoje? | Moderação do Eng.º Carlos Pina |
| 17:55 | Debate e perguntas do público | Participantes e painel |
| 18:20 | Encerramento: síntese e próximos passos | DevTrust e LIZAR |
| 18:30 | Cocktail, networking e reuniões B2B previamente agendadas | Todos |
O que vai apresentar a Caixa Mágica?
A sessão das 15:25, Digital Identity 2030, olha para o que vai mudar na identidade digital até ao fim da década. O título junta três temas que se cruzam com o trabalho da Caixa Mágica em Portugal e na Europa.
- Tendências globais. A passagem dos documentos e das credenciais para carteiras digitais. Na União Europeia, os Estados-Membros têm de disponibilizar a Carteira Europeia de Identidade Digital até 24 de dezembro de 2026. Outros países seguem modelos próximos.
- Standards. Os formatos e protocolos que permitem que uma credencial emitida num país seja lida e confiada noutro. É o que torna a identidade digital útil fora das fronteiras de quem a emite.
- Novos modelos de confiança. A forma como bancos, operadores e serviços públicos passam a confiar numa credencial digital: o que verificam, o que pedem ao cidadão e o que deixam de precisar de guardar.
A Caixa Mágica desenvolve e mantém o middleware do Cartão de Cidadão português desde 2011. Escreve regularmente sobre a transição para a carteira europeia, incluindo quem tem de a aceitar até dezembro de 2027 e como se integra uma entidade como parte confiante.
O que vai mostrar a LIZAR?
Às 15:50, Filipe Carvalho, da LIZAR Systems, fala sobre identidade segura, física e digital, da emissão ao ecossistema de confiança. A sessão parte da emissão física do documento, onde muitas identidades digitais começam.
Na pausa das 16:20, a LIZAR faz uma demonstração ao vivo da DRACO, em conjunto com a experiência L.ID Demo Credential da DevTrust. A DRACO junta gravação a laser e personalização de chip com e sem contacto numa unidade de secretária transportável, com cerca de 30 quilos. Está pensada para emitir documentos perto do cidadão, em conservatórias, consulados ou equipas móveis.
A LIZAR tem escritório na Praia, o que torna esta presença mais do que uma visita. A Caixa Mágica construiu a nova plataforma web da LIZAR, lançada em setembro em cinco idiomas. As duas empresas voltam a estar juntas na LisbonID de 2027.
Porque é que Cabo Verde é o lugar certo para esta conversa?
Um arquipélago coloca à identidade digital problemas que um país continental resolve com mais facilidade. A população está dispersa por várias ilhas, a ligação à rede nem sempre é estável e a emissão centralizada obriga a deslocações. Escrevemos sobre isso no artigo sobre identidade digital em arquipélagos e o caso de Cabo Verde.
Para uma visão completa da cadeia, da emissão física à carteira digital, veja o nosso artigo sobre a parceria entre a Caixa Mágica e a LIZAR.
O que significam os standards europeus para um país fora da UE?
Cabo Verde não está obrigado a adotar a Carteira Europeia de Identidade Digital. Mesmo assim, as escolhas que a Europa está a fazer contam para o arquipélago, por três motivos práticos.
- A diáspora vive em grande parte na Europa. Muitos cabo-verdianos residem em Portugal e noutros países europeus. Uma credencial emitida em Cabo Verde que siga os mesmos formatos pode ser lida e verificada do outro lado com menos fricção.
- Os standards já são internacionais. Os passaportes eletrónicos seguem as especificações da ICAO, aplicadas em todo o mundo. Os formatos de credenciais móveis usados na carteira europeia assentam em normas ISO e em especificações abertas, que outros países também estão a adotar.
- Os fornecedores trabalham para vários mercados. Quem escolhe tecnologia alinhada com os standards europeus tem mais fornecedores por onde escolher e menos risco de ficar preso a uma solução proprietária.
Seguir os standards não obriga a copiar o modelo europeu. Cada país decide quem emite, que atributos inclui e que serviços aceitam a credencial. Os standards definem apenas a forma, para que a credencial possa ser lida e confiada fora de casa. É também por isso que a sessão da Caixa Mágica dá tanto peso aos standards como às tendências.
Que perguntas queremos ver debatidas no workshop?
O programa cobre a infraestrutura existente, as oportunidades por setor, o sistema financeiro e a ambição regional. Do nosso lado, chegamos ao TECHPARK CV com cinco perguntas que nos parecem decisivas para os próximos anos.
- Que serviços devem aceitar primeiro a identidade digital? Abrir uma conta bancária, aceder a serviços públicos ou contratar um serviço de telecomunicações são casos com valor imediato para o cidadão. Começar por poucos serviços bem escolhidos cria confiança mais depressa.
- Como se garante a qualidade da emissão em todas as ilhas? Uma identidade digital é tão fiável como a credencial de onde nasce. A emissão distribuída exige o mesmo controlo de qualidade e o mesmo registo de auditoria em todos os pontos.
- O que acontece quando não há rede? A verificação no terreno tem de funcionar sem ligação permanente. Isso pesa na escolha da tecnologia logo no início.
- Como se protege a privacidade do cidadão? Partilhar apenas os atributos necessários e evitar bases de dados centrais desnecessárias são decisões de desenho, não detalhes técnicos.
- Que competências ficam no país? Um ecossistema digital endógeno depende de equipas locais capazes de manter e evoluir os sistemas. A sessão do Eng. Hélio Varela trata precisamente deste ponto.
Como tirar partido do workshop?
Uma tarde com treze momentos passa depressa. Para quem vem com objetivos concretos, alguma preparação faz diferença.